PIPAS, A INOCÊNCIA E A MALDADE

:::PIPAS, A INOCÊNCIA E A MALDADE:::

Pipas, a inocência e a maldade

Na série Pipas, a Inocência e a Maldade, utilizo tubos triangulares construídos com tabocas e papéis de pipa. As estruturas se organizam em módulos repetidos, formando uma trama geométrica.

Os triângulos se conectam de forma precária, presos por amarrações visíveis. Nada parece completamente firme.

Fios de cerol atravessam a composição de maneira irregular, criando linhas de tensão que cortam o espaço e introduzem a ideia de risco.

A luz atravessa os vazios entre os tubos, projetando cores suaves e fragmentadas no fundo. O olhar oscila entre estrutura e ausência, entre o desenho geométrico e a fragilidade do conjunto. A repetição constrói ritmo, mas não estabilidade.

Os materiais são simples: papel, madeira e fios, elementos associados a uma prática manual antiga. Ainda assim, o conjunto revela um sistema organizado, vulnerável e lúdico.

A série se constrói nesse limite. O que parece apenas uma brincadeira de infância carrega também perversidade.

O gesto inocente abriga o desvio ético. O que deveria apenas divertir também ameaça.

Ao final, Pipas, a Inocência e a Maldade sugere que essa dualidade é introduzida cedo, aprendida no mesmo espaço onde se aprende a brincar.