RASTRO
:::RASTRO:::
Rastro
Na série Rastro, interessa-me sobretudo o ritmo visual criado pela repetição dos tubos, originalmente em tom dourado escovado. Os fundos luminosos, em tons quentes, não se comportam de maneira uniforme. A luz se concentra, se dispersa e cria zonas de maior intensidade dentro dos tubos, gerando uma sensação de profundidade variável, quase pulsante.
Os tubos, organizados em conjunto, produzem um movimento coletivo. O olhar não se fixa em um ponto único: circula em uma leitura sequencial.
A repetição não é mecânica. Cada tubo reage de forma ligeiramente diferente à luz, ao fundo e à sua posição no conjunto. Isso cria uma tensão constante entre padrão e variação, ordem e desgaste, continuidade e falha.
As marcas internas, irregulares e orgânicas, surgem como interferências nesse campo de luz, criando contrastes entre fluxo e interrupção.
A série Rastro também dialoga com a ideia de extinção. As pegadas remetem às pegadas das araras e, por extensão, aos animais arrancados de seus territórios. Elas perdem força à medida que avançam. O efeito primitivista e a sensação de uma revoada centrifugada reforçam a ideia de percursos que se apagam, quando o rastro passa apenas a indicar que algo esteve ali.